Segunda-feira, 2 de Abril de 2007

Ó paí, ó!

      Grande filme! Ainda mais para mim, pois vi o filme no cinema do Pelourinho, que é o cenário do filme. Interpretação fantástica de Lazaro Ramos, Wagner Moura e outros artistas que, apesar de não serem conhecidos, mostraram que tem muito mais técnica teatral que os 'globais'(esses artistas são do teatro baiano).

      O filme "Ó paí, ó" não tem uma trama de tirar o fôlego, com um roteiro definido em que esperamos um "final feliz" ou "justiça sendo feita", pois é uma comédia solta, mas com muito a nos ensinar e perceber em nós mesmos(baianos) traços culturais únicos como a alegria de viver, mesmo com pouco dinheiro, e ainda conseguir rir dos fatos e contar aos amigos depois(algo que outros povos não tem, falo isso porque conheço pessoas de diferentes culturas).

      Há traços culturais negativos, que são transpostos pelos personagens Boca(Wagner Moura), em que a atitude deste é uma metáfora da exploração do branco sobre o negro nos negócios, e Cosme e Damião, que são duas crianças que querem levar vantagem em tudo, e mesmo tendo condição financeira razoável, adoram pousar de coitadinhos para conseguirem comida. Mas de forma alguma isso nos ofende, poque se existe o "jeitinho brasileiro"(que na verdade ganhou fama após uma propaganda de remédio feito pelo ex-jogador de futebol Gérson) é porque o nosso estado não tem competência para cuidar de seus cidadões(pois ética, além de contruída em casa, também tem forte colaboração da educação pública) , e além disso, há brechas que facilitam, e se essas brechas existissem em países desenvolvidos como Canadá e Austrália, provavelmente haveriam cidadões que descomprissem a lei, pois se o índicie de corrupção nesses países é baixo, é porque há medo em ser punido, pois para mim o local de nascimento de uma pessoa não define sua índole, e é papel do estado segurar os infratores(não importa todo um investimento em educação no mundo: a falta de ética é complexa demais para ser abolida da noite para o dia, não importa o lugar).

       Claro que no filme foi retratada uma Salvador clássica, que se diferencia de todas as outras cidades do mundo, principalmente por se passar no Pelourinho, mas não há grandes exageros sobre a vida do baiano típico(claro que quem é classe média geralmente vive numa realidade mais longe do Candomblé, da dança e do 'carnaval fora das cordas' , mas, como explica a sociologia de Durkheim, numa sociedade, querendo ou não, há coerção social, e sendo assim, querendo ou não, todos estamos participando da solidariedade mecânica).

        É importante filmes como "Ó paí, ó" valorizar os valores regionais e sair da mediocridade da cultura dominate, onde há heróis e vilões, sendo o herói com características unificadas no imaginário popular(dá para imaginar né?). Um filme de minha terra, que me orgulha muito, com um senso de humor com sacadas e 'insites típicos'  do dia-a-dia  que farão todos rirem e pensarem.

publicado por pensepositivo às 00:02
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1 comentário:
De Mitchell a 2 de Abril de 2007 às 01:18
saravá!
...e que a vossa verve aflore cada vez mais.

namaste!

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