Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Futebol 1

        Meu esporte favorito é o futebol, depois o futsal, depois o beach soccer... ou seja, tudo liga ào futebol. Porém, admito que este é o esporte mais injusto do mundo, onde nem sempre o melhor vence, onde pode se jogar feio e eliminar o favorito e onde o jogador de menos técnica pode ser o destaque da partida.

       Uma equipe de futebol obedece toda uma hierarquia: há os dirigentes, os torcedores e os sócio-torcedores(que são torcedores que pagam todo mês ao clube e em compensação tem acesso livre á sede, ganham brindes e geralmente tem direito a voto- no Bahia ainda não tem) no grupo de fãs incondicionais. Há quem trabalhe nos escritórios, como os dirigentes, investidores, empresários dos jogadores, advogados, assessores de imprensa... E há quem trabalhe ‘mais perto’ do jogo, como a comissão técnica, que é integrada por médicos, massagistas, fisioterapeutas, nutricionistas, preparadores físico, técnico e jogadores. Quem não entende da complexidade do futebol pode achar que apenas os jogadores em campo ganham um título, mas para ser vitorioso no futebol moderno, é preciso planejamento e organização para usar todos os recursos financeiros que tem, a exemplo do São Paulo, que é um time brasileiro(portanto, tem uma receita inferior aos grandes da Europa) e no entanto foi campeão mundial em 2005.

       Uma equipe ‘extremamente’ medíocre dificilmente ganhará um título importante, porém, antes dos jogos decisivos, é comum ocorrerem zebras. As zebras ocorrem na maioria das vezes porque a ‘grande equipe’ subestima o potencial da equipe ‘medíocre’(às vezes é uma boa equipe tecnicamente, mas é desconhecida), a exemplo da República Tcheca, que perdeu para Gana na copa de 2006, mesmo sendo na minha opinião a 4ª melhor equipe daquela competição(pelo menos no papel, ficando atrás de Brasil, Argentina e Inglaterra).

        A hierarquia do futebol também vale dentro de campo: o centro do campo(no sentido de estar no meio e de ser o cérebro da partida); O que há de mais importante são os meio-campistas: os que jogam para frente, tem de ser criativos para fazer jogadas imprevisíveis(como os dribles de Garrincha) e colocar os atacantes na cara do gol através de passes de ‘precisão cirúrgica’, e para isso é preciso ter visão de jogo para não tocar para o companheiro em posição de impedimento. Já os meias marcadores, que também são apelidados de ‘volantes avançados’(quem hoje desempenha bem essa função é Zé Roberto, do Santos) seguram o time adversário até onde der no meio campo, poupando o trabalho dos zagueiros(a não ser que o time adversário pratique o ‘chuveirinho- lançamentos em alta profundidade, mas sem precisão, em que se os zagueiros estiverem bem colocados conseguem se antecipar na jogada e tirar o perigo sem problemas). Zagueiros são importantes, pois eles cobrem as falhas dos meias e são uma barreira a mais para o adversário. Os alas e laterais são os que tem de correr mais, marcando(lateral), apoiando o ataque(ala) ou os dois, a depender do esquema tático. Se os atacantes forem ruins, não adianta colocá-los na cara do gol, pois eles desperdiçaram as oportunidades, e os goleiros tem função importante, mas estes ficam em evidência geralmente quando há falhas no setor defensivo.

        Preparo físico é fundamental no futebol moderno. Para marcar o adversário, não basta olhá-lo: é preciso acompanhá-lo em todos os setores do campo(com exceção da linha de impedimento); Isso se torna chato quando o adversário tem um preparo físico melhor que o seu, e resolve correr para te despistar, e na jogada usa os braços sem o juiz ver e nunca te deixa ficar em posição boa de cabeceio(vale lembrar que existem dois tipos de marcação: homem a homem- seguindo o adversário; E por zona, em que cada um marca seu espaço no campo, dividido em áreas estratégicas). Para melhorar o preparo físico, as melhores equipes do mundo contam com profissionais super competentes na área de educação física, fisioterapia, medicina e nutrição, tudo para o atleta aproveitar seu potencial máximo, agüentar mais de 90 minutos e sempre atento, e a diferença de Pirambú e Corinthians, por exemplo, é que o Pirambú cansou muito mais cedo, devido á falta de recursos.

         Há jogadores que começam em times pequenos, mas crescem na carreira e se tornam campeões mundiais com todo mérito, como Rogério Ceni, que começou a carreira no Sinop e jogando pelo São Paulo, contra o Liverpool, salvou a equipe tricolor, já que a equipe do Liverpool era superior tecnicamente mas não conseguia chegar ao gol porque Ceni fechou o gol(um dos exemplos de ‘goleiro que ganha o jogo para a equipe). Então fica a pergunta: o Ceni do Sinop é inferior tecnicamente ao Ceni do São Paulo? Na minha opinião sim, pois toda experiência de vida produtiva nos acrescenta muito e nos fazem pessoas melhores, e Rogério aperfeiçoou sua técnica e hoje tem uma saída de bola no cruzamento perfeita, além da reposição de bola mais rápida que já vi num goleiro(ele contou com os melhores preparadores de goleiros do Brasil, além de ter o potencial dentro de si). Então, nunca despreze um jogador só porque ele joga num time pequeno, pois, como dizem na física, ‘a energia potencial ainda não foi transformada em energia cinética’, ou seja, ele pode ser bem melhor do que está jogando hoje, basta os olheiros conseguirem enxergar seu potencial, e não sua qualidade técnica atual(para isso, é preciso ser um bom olheiro, tem que entender muito de futebol).

          Quando um time sul-americano enfrenta um time europeu, a tendência é a maioria apostar na equipe européia, mas se você observar bem, os jogadores de times poderosos foram se aperfeiçoando; Por exemplo: eu acho que Ronaldinho Gaúcho produz muito mais para o Barcelona que para o Grêmio no passado; Será que Deco se destacava na época em que jogava no Corinthians? Claro que não!(ele só jogou duas partidas no time principal, para depois trocar o Corinthians paulista pelo Corinthians alagoano, em Maceió, e depois ‘rumar para Portugal). Se ele se destacasse, não sairia daqui como anônimo, e se ficasse no Corinthians sem ser percebido, provavelmente não estaria jogando em um dos melhores times do mundo(Barcelona) e numa das seleções que mais crescem na Europa(Portugal); E digo mais: com o futebol que está jogando hoje, Deco poderia jogar como meia titular na seleção brasileira nessa última copa, eu o substituiria por Zé Roberto, que é ótimo, mas Deco tem um trunfo a favor, que é saber marcar e apoiar o ataque excelentemente. Então, o duelo entre equipes grandes e pequenas é vista por mim como um duelo de energias mecânicas(soma das energias potencial e cinética) semelhantes, porém a equipe grande já explorou praticamente tudo de bom que esse jogador poderia ter em pró da equipe(por isso não acho Gudjohnsen um bom jogador, já que ele está numa das melhores equipes do mundo- o Barcelona- e mesmo assim ainda deixa a desejar tecnicamente). Mas por falar em Gudjohnsen, será que ele conseguiu o sucesso que tem porque é o melhor jogador de todos os tempos de seu país?(Islândia). Porque no Brasil vemos jogadores com muito mais potencial até na 3ª divisão do campeonato, mas estão ofuscados porque aqui é terra de craque, então é o mesmo que aconteceu com Deco, que hoje poderia jogar na seleção brasileira como titular, mas que saiu daqui porque nenhum olheiro competente conseguiu ver o enorme potencial que ele tinha.

         Há jogadores que nós esperamos muito, por termos o observado nas divisões de base, como Caio(ex-Santos), Pedrinho(ex-Vasco, Santos e Fluminense) e Dagoberto(ex-Atlético paranaense), por exemplo. Então, porque esses jogadores hoje não estão na mídia? Na minha opinião, a melhor resposta é: eles tem potencial sim, mas faltou sorte deles e falta de competência de seus empresários, pois empresário bom consegue colocar Doni no Roma e Gudjohnsen no Bolton, Chelsea e Barcelona, por exemplo. Mas então, jogadores que não deram certo ainda podem ser super estrelas? Na minha opinião, a melhor hora para se tornar estrela é na juventude, depois de uma certa idade é difícil se firmar como um jogador diferenciado, por diversos fatores, como preparo físico e desestímulo, já que muitos jogadores viram ‘burocráticos’ e só querem mesmo é ganhar seu salário todo mês, sem a ambição de ir mais longe na carreira(apesar de muitos fãs acreditarem neles). Por isso tantos jogadores brasileiros vão à Ásia: mesmo sabendo que o futebol oriental não te dará tanta projeção, lá se paga em dia(diferente daqui), se paga bem(ainda mais se for jogador brasileiro, pois os medíocres daqui se equivalem com os ‘craques’ de lá) e ainda se tem a chance de se naturalizar por outro país(como Bodi, que vai se naturalizar sul-coreano).

         Nesse complexo mundo da bola, em que, se pensarmos do campo aos bastidores, muita coisa acontece, posso me considerar que conheço pouquíssimo, mas essa é apenas uma série de textos de futebol que vou colocar no blog. Até a próxima!

publicado por pensepositivo às 01:48
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